Lançado pela Irem em 22 de dezembro de 1993 exclusivamente para o Super Famicom japonês, Ganbare! Daiku no Gen-san ocupa um lugar curioso na história dos jogos de plataforma de 16 bits: é, ao mesmo tempo, herdeiro direto de uma franquia já consolidada e um exemplo de como certos títulos de qualidade técnica notável permaneceram restritos ao mercado japonês. O jogo é o quinto título da série Hammerin' Harry da Irem e a única entrada da franquia lançada para o SNES.
Gen-san. chamado de Harry na versão americana do arcade, é um carpinteiro que, após terminar mais uma obra perfeita, vê sua construção ser destruída por uma bomba plantada por uma construtora rival chamada Rusty Nail, que deseja eliminar a concorrência destruindo tudo que não é dela; armado com seu martelo de construção, Gen-san parte então para tirar satisfação com os responsáveis. É essa premissa simples, vingança cômica de um trabalhador contra uma megaempresa antiética, que sustenta o humor do restante da experiência.
O jogador avança por fases golpeando inimigos com um martelo gigante, em uma estrutura que mistura plataforma com elementos de "luta de rua" cartunesca. A campanha se organiza em cinco estágios, cada um dividido em duas áreas, sendo necessário derrotar um chefe ao final de cada uma para avançar. Diferente do arcade original da série, notoriamente punitivo, esta versão de Super Famicom introduz uma barra de vida, o que torna a progressão bem mais tolerante a erros, tornando-se assim bem mais acessível.
O combate, no entanto, vai além do simples avançar e golpear: além dos power ups que concedem poder de dano ou escudo, Gen-san pode bloquear ataques com o próprio martelo e ainda se esquivar agachando-se ou se pendurando no teto em determinados pontos do cenário, podendo também arremessar o martelo quando precisa de um ataque à distância.
Em algumas fases o jogador precisa usar uma moto, mas por um período curto, com a tela se deslocando automaticamente, de modo que não é necessário se preocupar em acelerar ou frear, bastando se movimentar dentro do espaço da tela. Esse tipo de segmento funciona como uma pausa no ritmo de combate, introduzindo um desafio de posicionamento e reflexo distinto do restante do jogo.
Visualmente, os gráficos são muito bons e detalhados, especialmente para o padrão de 1993. Esse cuidado visual se reflete tanto no protagonista quanto na galeria de adversários, que aposta deliberadamente no absurdo: inimigos como gatos de aparência estranha ou senhoras idosas varrendo o chão, muitos surgindo inesperadamente de trás de objetos do cenário.
A escolha estética é claramente intencional: todo o jogo segue o estilo SD (super deformed), com personagens de corpos pequenos e cabeças grandes, e traços exagerados propositalmente para gerar comicidade. O exagero visual aqui não é um mero recurso estético gratuito, mas está diretamente a serviço do tom de comédia pastelão que permeia toda a premissa (a vingança "engraçada" de um carpinteiro contra uma construtora vilã).
A trilha sonora cumpre o seu papel, consegue combinar a ambientação dos cenários com a ação reproduzida na tela. No entanto, não passa disso, visto que carece de músicas memoráveis.
Ganbare! Daiku no Gen-san é mais um daqueles jogos obscuros que ficou restrito ao Japão, mas que merece uma chance para aqueles que buscam conhecer esse tipo de pérola perdida na vasta biblioteca do console.
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